Sábado e domingo foram um problema. Me senti a pior pessoa do mundo, me senti só, senti muita saudade.
Hoje não tinha ânimo para levantar e trabalhar, mas como eu sou uma pessoa incrivelmente responsável, lá fui eu para o banho gelado, às 6h da manhã.
Quando voltei para o quarto, o Bom Dia RS noticiava: 19 de março. E eu fiquei matutando o 19 de março. Dezenove de março.
DIA DE SÃO JOSÉ! Santo padroeiro de Inhuma. Interior da mamãe. Onde alguns anos atrás levei as cinco filhas de Caetano para os festejos. A última viagem das cinco irmãs. Imediatamente minha querida Titia veio no pensamento e a saudade apertou mais ainda.
Junto com isso tudo, me veio a cabeça: minha parada de ônibus é em frente a uma Igreja. E eu botei na cabeça que hoje eu ia conhecer aquela bendita Igreja. Não sei se foi um sinal divino, mas exatamente hoje, a Igreja estava aberta na hora que eu cheguei. Geralmente ela só abre na hora que eu estou indo embora do trabalho.
Entrei, né. E tinha uma imagem de São José. Cheguei perto dele e rezei como eu nunca rezei na vida. Levantei e fui trabalhar, ainda achando a vida ruim.
Trabalhei sem ânimo até a hora do almoço e quando finalmente deu a hora, desci com os colegas para almoçar. Eis que do outro lado da rua, passou um homem vestido de, pasmem, Chaves. É. Aqueles Chaves da vizinhança do Kiko, da Chiquinha, do seu Madruga, da dona Florinda.
Eu louca, saí correndo.
- Chaves! Chaves! Deixa eu tirar uma foto tua!
E quando eu cheguei perto, era um idoso. Jardineiro.
Perguntei se o nome dele era Chaves.
- Não, moça.
- E o senhor se veste assim só por que é legal?
- Não, moça. Os filhos da dona da casa que eu vou agora gostam do Chaves e eles adoram quando eu vou assim. E eu preciso fazer de tudo para não perder esse bico, tenho que colocar comida na minha mesa.
E assim, vestido de Chaves jardineiro, São José chegou para mim e disse: a vida já foi mais fácil. Mas já foi mais difícil também
Seu Chaves jardineiro, quando eu tiver uma casa, vou entregar meu jardim para você.

